sábado, 21 de maio de 2016

Entretanto

Se eu disser que não sinto falta
Das tardes leves, sem preocupações
Se eu confirmar que esqueci
Das histórias contadas para embalar o sono
Se eu garantir que não me importo
Em te ver por aí ou notar tua presença
Se eu afirmar que não faz diferença
Em saber se estás bem e realmente feliz
Se eu falar que não ligo
Em saber se estás protegido do frio ou te alimentando direito
Só pra não esquecer das cobranças diárias, na tentativa de cuidados triviais
Se eu assegurar que não percebo
Teus olhos brilhantes ou sorriso iluminado
Se eu fingir que nem me recordo
Dos sonhos estranhos, mas cheios de encanto
Se eu jurar que não me dói lembrar
Do teu abraço único
Com euforia na chegada
Sufocante na partida
Negando a despedida e ansiando o retorno
Se eu disser que não é uma tortura
Nos tratar-nos como meros “desconhecidos”
Se eu falar que não houve amor...
Estaria mentido. Friamente. Sem sentido.
Ah...  a  quem enganaria?!
Se tu sabes de cada um desses instantes
Se tu sabes de cada um dos meus temores
Se tu sabes o motivo da fuga
Se tu sabes da incapacidade de encarar as diferenças
Se tu sabes o sentido do recuo
Não há maneira de negar que foram bonitos
Nossos pedacinhos de sonhos.
Mas eu tive de ir...
Talvez não compreendas
Sequer note o medo paralisante
Andando lado a lado com a ânsia de correr
Cada vez mais para longe
    O meio termo é a fuga
Envolta pelo sorriso que camufla
A angústia assombrosa
Imperceptível externamente
Mas monstruosa aqui dentro
Sei que já não me cabe pedir nada
Sequer que corresponda
Às tentativas de manter
Um convívio saudável
Com a normalidade que eu almejo ver
Nem cobrar retorno
se minha desistência te fez mais resistente
aos meus anseios de retomar nossa amizade
Que haja conserto
Que haja saída
Que haja recomeço
Mesmo após a despedida.
Que haja o perdão.
Que haja, por fim, solução
Que não haja drama
ou rancores banais
Mas que se renove 
o que impulsionou 
o primeiro passo
Que haja paz!      
                                                                                                                                                          Aldryne Tavares

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Constante ( I )

Capítulo I


Nas curvas, no traço
No envolver do teu mistério 
Entre o encanto da tua fala 
e a leveza da tua escrita 
me encontro.


Leio, aprecio, cada letra.
Alíneas.
 Entrelinhas, uniformes, exatas...
Bifurcadas? Eu as procuro.
Claras? Me compadeço.

Tua dor também é minha.
Tua paz me purifica.

E as preocupações? Divagam quando releio.
"Não queiras subestimar 
o poder de sedução 
de escrever decentemente",
li certo dia.
Concordei.

Entre pausas e constantes, identidade.
A tua. 
Aquela na qual me achei.

                                                  Aldryne Tavares

domingo, 12 de abril de 2015

:)

"Preciso deixar o mundo fazer o papel dele, mesmo que o final seja incerto e desconhecido. Pois, as rosas um dia florescem, e não há motivos nem porquês para isso acontecer. Elas florescem porque tem de florescer, isso é a vida. Nem tudo que é lindo precisa de uma explicação. As coisas simplesmente acontecem.
A gente sonha, e a gente mesmo realiza. A gente ama, e a gente mesmo se deixa ser amado. Não existe limite para o sonho de quem acredita que o mundo conspira a favor de quem, como a gente, tem alma de música."   
                                                                                      - Frederico Elboni                 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A moça







"Ai, essa menina sem juízo, abusada,

Ama sem medida, sem pensar em nada,


Distribui generosos beijos e abraços
Com uma boa vontade que nunca acaba.
E faz dos seus passos,
Por todo lugar que passa,
Trilha de carinho gratuito, desperdiçado,
Como se amor fosse de graça.
E o que recebe de paga?
Perguntam assim, os despeitados,
Abusam, nem retribuem nada à coitada,
Viram-lhe as costas, deixam-na de lado,
Constantemente sozinha, ela acaba.
Tem nenhum ouvido atento às suas histórias,
Retrato de uma futura velha frustrada,
Amargada da vida bruta.
Mas a pobre nem liga,
Mais abraços dá, mais ainda escuta,
E sorri, quem diz...
Riso fácil e verdadeiro de quem está mesmo feliz.




Teve a ousadia de viver uma vida inteira assim,

Empregada dos serviços de tornar mais brando o entorno,

Com sua paz enfática, mágica,

Mesmo que a conta do que recebia de retorno,

Caso fosse feita nos cálculos da matemática,

Acusasse franca desvantagem,

Ajudava à revelia dos nãos,

Dos descaramentos desse mundo cão,

A natural cafajestagem.


Morreu um dia,

Enrugadinha sorridente,

Como morreram, aos pouquinhos

(acontece com toda gente),

Seus aproveitadores doutores, barões, vizinhos,

Bem mais ricos, as rugas mais fundas,

Marcas de malícia, vida com ganhos admiráveis,

Todos sozinhos.

As vozes que lhe apontaram a ingenuidade,

Diziam seria ela a terminar a vida solitária,

Riram por suas costas, de sua conduta,

Chamaram de trouxa, abusaram da otária,

Um por um, a terra foi recebendo cada qual,

Assim como a velha risonha,

Vida de entrega sem igual,

Sorriu mais que qualquer pessoa,

Abraçou demais, beijou e ouviu histórias aos milhões

E amou de graça, fácil, à toa,

Como se fosse a melhor das profissões.


Faça-se jus,

Sua façanha foi viver leve, uma incrível vida boa

Sem nenhuma cruz,

Deixando de legado a prova inequívoca

De que a existência desrespeita a lógica que nos conduz:

- quem dá mais não sai perdendo, não;

- quem só recebe tampouco tem mais;

- os bens da alma somam-se por distribuição;

- quem quer muito nunca se satisfaz.


Assim viveu a moça que amou demais,

As pessoas, as plantas, os animais,

Deu-se tanto que morreu de paz."


-Adriano Dias 


(Créditos: Semema)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Fatores Degradantes do Ser Humano



“A Política, sem princípios;
o Prazer, sem compromisso;
a Riqueza, sem trabalho;
a Sabedoria, sem caráter;
os negócios, sem moral;
a Ciência, sem humanidade;
a Oração, sem caridade.
A vida me ensinou que as pessoas são amigáveis, se eu sou amável;
que as pessoas são tristes, se estou triste;
que todos me querem, se eu os quero;
que todos são ruins, se eu os odeio;
que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrio;
que há faces amargas, se eu sou amargo;
que o mundo está feliz, se eu estou feliz;
que as pessoas ficam com raiva quando eu estou com raiva
e que as pessoas são gratas, se eu sou grato.
A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta. A atitude que eu tome perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante a mim.
Quem quer ser amado, ama. O caminho para a felicidade não é reto.
Existem curvas chamadas EQUÍVOCOS,
existem semáforos chamados AMIGOS,
luzes de cautela chamadas FAMÍLIA,
e tudo se consegue se tens: um estepe chamado DECISÃO,
um motor poderoso chamado AMOR,
um bom seguro chamado FÉ,combustível abundante chamado PACIÊNCIA,
mas acima de tudo um motorista habilidoso chamado DEUS!”

                                                                                                                - Mahatma Gandhi

O AMOR QUANDO SE REVELA



"O amor, quando se revela
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,

Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."
Fernando Pessoa
 

Memoria del Vuelo


         Hace ya unos cuantos años, en mis tiempos de exilio en la costa catalana, escuché un estimulante comentario de una niña, de ocho o nueve años, que si mal no recuerdo se llamaba Soledad. 
Estábamos echando unos tragos con sus padres, exiliados como yo, cuando esa amorosa criatura me llamó aparte y me preguntó: 
–¿Y vos qué hacés? 
–Y... yo... escribo. 
–¿Escribís libros? 
–Y... sí. 
–A mí no me gustan los libros –sentenció ella. 
Y como me tenía contra las cuerdas, golpeó. 
Dijo: 
–Los libros están quietos. A mí me gustan las canciones. Las canciones vuelan. 
Desde mi encuentro con aquel angelito de Dios, he intentado cantar. Nunca pude, ni en la ducha. Cada vez que lo intento, los vecinos gritan que ese perro se deje de ladrar. 
Soy un incomprendido. Y peor: un incomprendido envidioso. - Eduardo Galeano