Se
eu disser que não sinto falta
Das
tardes leves, sem preocupações
Se
eu confirmar que esqueci
Das
histórias contadas para embalar o sono
Se
eu garantir que não me importo
Em
te ver por aí ou notar tua presença
Se
eu afirmar que não faz diferença
Em
saber se estás bem e realmente feliz
Se
eu falar que não ligo
Em
saber se estás protegido do frio ou te alimentando direito
Só
pra não esquecer das cobranças diárias, na tentativa de cuidados triviais
Se
eu assegurar que não percebo
Teus
olhos brilhantes ou sorriso iluminado
Se
eu fingir que nem me recordo
Dos
sonhos estranhos, mas cheios de encanto
Se
eu jurar que não me dói lembrar
Do
teu abraço único
Com
euforia na chegada
Sufocante
na partida
Negando
a despedida e ansiando o retorno
Se
eu disser que não é uma tortura
Nos
tratar-nos como meros “desconhecidos”
Se
eu falar que não houve amor...
Estaria
mentido. Friamente. Sem sentido.
Ah...
a quem enganaria?!
Se
tu sabes de cada um desses instantes
Se
tu sabes de cada um dos meus temores
Se
tu sabes o motivo da fuga
Se
tu sabes da incapacidade de encarar as diferenças
Se
tu sabes o sentido do recuo
Não
há maneira de negar que foram bonitos
Nossos
pedacinhos de sonhos.
Mas eu tive
de ir...
Talvez não
compreendas
Sequer note o
medo paralisante
Andando lado
a lado com a ânsia de correr
Cada vez mais
para longe
O meio termo é a fuga
Envolta pelo
sorriso que camufla
A angústia
assombrosa
Imperceptível
externamente
Mas
monstruosa aqui dentro
Sei que já não me cabe pedir nada
Sequer que corresponda
Às tentativas de manter
Um convívio saudável
Com a normalidade que eu almejo ver
Nem cobrar retorno
se minha desistência te fez mais resistente
aos meus anseios de retomar nossa amizade
Que haja conserto
Que haja saída
Que haja recomeço
Mesmo após a despedida.
Que haja o perdão.
Que haja, por fim, solução
Que não haja drama
ou rancores banais
Mas que se renove
o que impulsionou
o primeiro passo
Que haja paz!
Aldryne Tavares