Eles
saíram, foram se divertir. E eu fiquei em meio a meus livros nesta ensolarada
tarde. Parece-lhe ruim? Se a seus olhos isto é solidão e agonia, aos
meus é libertação. Para mim, envolver-se com a literatura é divertido.
É nas
palavras que eu me descubro.
É na
escrita que encontro o meu eu interior.
E na
leitura me contento.
Arrisco
dizer que é isso que me dá segurança. É arriscado dizê-lo, pois escrever me
causa temor ao mesmo tempo em que me dá paz. Parafraseando minha musa
inspiradora Clarice Lispector: “Escrever
é uma pedra lançada num poço fundo”. E eu concordo em plenitude. Nunca sei
como começar e de repente termino uma poesia.
Poucas
coisas, a meu ver, são tão sublimes e satisfatórias quanto ver um verso meu
pronto. São simples, mas refletem o que se passa dentro de mim. Mas nem sempre
é assim que acontece. E basta ler este trecho de Clarice para compreender:
“Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou sabe.
Perigo de mexer no que está oculto— e o mundo não está à tona, está oculto em
suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me
colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio
terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da
cilada das palavras: as palavras que eu digo escondem outras— quais? Talvez as
diga. Escrever é uma pedra lançada num poço fundo”. (LISPECTOR, Clarice. Um
sopro de vida (pulsações). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.p. 13).
E assim
também digo que não é inutilidade fazer o que se gosta. Se outros o veem como
errado, logo interrompo esse pensamento. Não deixo que outros escolham por mim.
Tudo é uma questão de equilíbrio. Equilibrar as funções e pôr em ordem as
prioridades. Não se deve acreditar em comparações e outros critérios que
igualam as pessoas. A essência é a mesma, as atitudes é que nos diferenciam.

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